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  • Foto do escritorCaio Silva

Festa do Divino Espírito Santo, 254 anos de fé, cultura e tradição

Atualizado: 23 de mai. de 2023



No próximo dia 28 a Igreja Católica festeja o dia de Pentecostes, mais conhecido como a festa do Divino Espírito Santo.


O dia de Pentecostes marca a descida do Espírito Santo sobre Maria e os discípulos: "Chegando o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos num só lugar. De repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados. E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava”. (Atos dos Apóstolos 2:1-4).


A popularidade da festa do Divino tem origem em Portugal, com a construção da Igreja do Espírito Santo, em Alenquer, a pedido da Rainha D. Isabel, esposa do Rei D. Doniz. Com a colonização do Brasil, essa tradição se espalhou por diversas localidades, sendo bastante popular no estado do Rio de Janeiro.


Em Saquarema, a festa do Divino tem origem no ano de 1769 quando foi introduzida pelo Padre Antônio Moreira, ano em que foi construído pelo Fazendeiro Thomaz Cutrim de Carvalho o coreto denominado “Império do Divino Espírito Santo” localizado em frente a Praça Oscar de Macêdo Soares na Vila.


A festa do Divino de Saquarema guarda tradições do século XVIII como a Folia do Divino que percorre todo o Município levando a Bandeira do Divino, recolhendo donativos e esmolas para a festa. A folia é composta por um grupo de músicos e um bandeireiro, o grupo entoa as tradicionais toadas, repentes feitos de improviso cantados pelo Mestre e respondido pelo Foliões.


Outra tradicional celebração é o levantamento do Mastro do Divino, tradição secular que anuncia os festejos do Divino. Dias antes da festa é levantado um mastro com um quadro ricamente decorado na ponta, atualmente o mastro é colocado no outeiro da Igreja Matriz mas, durante muitos anos o mastro era colocado na atual Praça Oscar de Macedo Soares, que à época era conhecido como largo do mastro.


A Folia de Saquarema é a única em todo o Estado do Rio de Janeiro a preservar a Bênção da Mesa, secular tradição que representa a bênção dos alimentos, representados pela farinha de mandioca. Em uma mesa forrada com uma toalha vermelha, são colocados cinco montinhos de farinha, que representam as cinco chagas de Jesus Cristo, em cada um desses montinhos é desenhada uma Cruz. Enquanto os Foliões cantam as tradicionais toadas, o Mestre procede o benzimento da mesa.


No domingo de Pentecostes, a procissão do Divino sai da casa do Festeiro e segue em direção a Igreja Matriz onde é realizada a Santa Missa. A procissão é formada pelo “Quadro do Divino” composta pelos Irmãos da Irmandade do Santíssimo Sacramento, a frente é levado o Estandarte do Divino acompanhado por duas “Daminhas”, logo atrás vem o “Menino Imperador” e o “Menino Príncipe” acompanhados por seus “súditos”, seguido pelo festeiro levando a “Coroa do Divino” e a festeira levando a “Bandeira do Divino”.


Após a Missa novamente é realizada a procissão que segue em direção a Praça Oscar de Macedo Soares, onde é realizada a “Bênção da Mesa” e servido um almoço comunitário.


Após a “Bênção da Mesa” o quadro segue para o coreto onde é montado o Império do Divino Espírito Santo, que é visitado pelos fiéis e devotos para pagarem suas promessas e pegarem a tradicional “fitinha do Divino”.


Saquarema é uma das poucas cidades do Estado a manterem a tradicional festa do Divino com seus ritos e celebrações seculares, graças aos esforços da Irmandade do Santíssimo Sacramento e principalmente dos Foliões que são os detentores dessa rica cultura popular.


Artigo do nosso colunista Caio Silva | @historiasdesaquarema


Fotos: Internet e redes sociais da Paróquia N.S. de Nazareth

















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